quarta-feira, 14 de março de 2012

Maioria dos casos de violência contra a mulher ocorre no ambiente familiar, diz CFemea



De Juliana Maya
Repórter da Rádio Nacional da Amazônia
Brasília – Mais de 4 mil mulheres são assassinadas todos os anos no Brasil, informa o Mapa da Violência,
elaborado pelo Instituto Sangari. O estado com maior número de mortes é o Pará, com seis mortes para
cada 100 mil mulheres. Em seguida, vem Mato Grosso e o Tocantins, cada um com cinco mortes para cada
100 mil.
Na maioria dos casos, a mulher é vítima de violência dentro do ambiente familiar, diz Ana Cláudia Pereira,
assessora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFemea). “Os dados mostram que 70%, por
exemplo, dos casos de homicídio de mulheres são cometidos por alguma pessoa que ela conhece, dentro das
relações íntimas de afeto, ou, então, por parceiro ou ex-parceiro."
Segundo Ana Cláudia, o estupro também é cometido com muita frequência dentro dessas relações. "Isso
[estupro], muitas vezes, é um instrumento para humilhar, subjugar e determinar o comportamento dessas
mulheres.”
Ana Cláudia destaca que a Lei Maria da Penha, que ajuda muitas mulheres todos os dias, é umas das três
melhores leis do mundo para combater a violência doméstica. No entanto, ela chama a atenção para a
necessidade de muitos avanços na estrutura dos serviços públicos para que a lei seja de fato cumprida.
Quando as políticas de segurança têm foco apenas no espaço público, acabam deixando as mulheres de fora,
ressalta a assessora do CFemea.
Dirigente do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Rosângela Cordeiro considera a Lei Maria da Penha
uma conquista importante, mas diz que ainda existe um longo caminho para que ela chegue até o campo. “As
delegacias especializadas nunca estão próximas aos assentamentos, às comunidades. E não é com unidade
móvel, como é a nossa política agora, que a gente vai conseguir conter isso [violência doméstica].”
Para Rosângela, a preparação de delegacias, toda a estrutura que envolve o atendimento às mulheres,
precisa ser aprimorada. “Quando a gente chega para registrar ocorrência, a primeira pergunta é: o que você
fez pra sofrer essa violência?' Parece que a  gente é culpada porque apanhou”, afirma a líder do MMC.
Denúncias de casos de violência podem ser feitas pelo número 180, na Central de Atendimento à Mulher. A
ligação é gratuita e quem faz a denúncia não precisa se identificar. O serviço também está disponível para as
mulheres que queiram ter orientações sobre o enfrentamento à violência.
De acordo com conceito firmado em 1994, em Belém, na Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e
Erradicar a Violência contra a Mulher, violência contra a mulher é “qualquer ato ou conduta baseada no
gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico, tanto na esfera pública quanto
privada”.
Edição: Nádia Franco

fonte: www.agenciapatriciagalvao.org.br

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